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| Foto: Reprodução/X |
A final da Copa Africana de Nações (CAN-25) foi um amontoado de histórias. Faltas e pênaltis duvidosos, ameaça de abandono de campo, tentativa de invasão em campo, uma banalidade de pênalti com cavadinha entre outras coisas. Foram tantas as ações em campo, mas não havia ninguém para contá-las. Na coluna de hoje, retomo algo já mencionado na Coluna #437: o que mudou na Copa Africana de Nações.
O Flávio Ricco, do Portal Leo Dias, comentou “se já há tempos, rádios e TVs se acostumaram a deixar seus narradores e comentaristas trancados em estúdios, bem longe dos campos, o mesmo o modus operandi foi colocado em prática para uma boa maioria dos repórteres. Poucos ainda são enviados aos estádios, mas nenhum para jogos fora das suas cidades de origem: São Paulo, Rio, Belo Horizonte etc. De tão raras, as exceções são insignificantes.”
Um repórter presente no território da competição agrega muito às transmissões. Ele representa um sentir, descrevendo as impressões de clima e ambiente. O melhor exemplo disso é o brilhante trabalho de Mariana Becker na Fórmula 1. Aquelas falas rápidas com os protagonistas contextualizam o espectador. A Copinha, encerrada na manhã de hoje, também ilustrou isso: quantos jogos ficaram no escuro, com percepções distantes, e como ver a XSports com equipe na cabine na final trouxe outro enquadramento para o jogo. É informação, mas, junto dela, surgem as muitas narrativas construídas.
E aqui quero diferenciar o repórter do veículo oficial da transmissão. Em diversas colunas já critiquei as transmissões “chapa-branca”. O repórter é aquele que faz a pergunta no calor do acontecimento, trazendo reações espontâneas e falas menos engessadas. O esporte é praticado por humanos e, portanto, envolve sensações, interpretações e diferentes posicionamentos. Na CAN-25, demoramos para entender o papel decisivo de Sadio Mané. À distância, essa leitura tende a ser cada vez mais limitada. As imagens oficiais são apenas isso: imagens.
Já tivemos Copas do Mundo, Olimpíadas e tantos outros eventos transmitidos de cabines, estúdios ou centros de mídia distantes. A cobertura deixou de mostrar o fato, o esporte, e passou a se concentrar em um entretenimento voltado a fazer rir. Não quero apenas o jogo; quero me deliciar com o espetáculo e aprender com seus problemas. Vivemos um tempo de redução de custos que compromete e empobrece a experiência.
Sugestão de leitura:
RICCO, Flávio. Coletiva curta, na derrota do Palmeiras, não foi culpa do Abel - Portal Leo Dias, Coluna Flávio Ricco. São Paulo, 2026. Disponível em: https://portalleodias.com/colunas/flavio-ricco/coletiva-curta-na-derrota-do-palmeiras-nao-foi-culpa-do-abel. Acesso em: 25 jan. 2026.
Sobre o autor:
Prof. Dr. Albio Fabian Melchioretto (www.albiofabian.com). Doutor em Desenvolvimento Regional. Professor pesquisador ligado a Faculdade SENAC Blumenau, editor do podcast, Tecendo Ideias (Top 100 Education Podcasts).
Massaranduba, domingo, 25 de janeiro de 2026.


Vou enumerar aqui brilhantes repórteres de campo: Cícero Melo, Bruno Volosh, Ruy Guilherme, Luís Lobo. As tvs no modo geral banalizaram até o contato cabine-campo. Os (as) de hoje,ficam interrompendo o locutor sempre com informações fúteis e inúteis. Aproveito pra criticar esse portal. HORRÍVEL com esses anúncios carregados de vírus.
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